A Nossa Terra

Barbacena             BARBACENA


Aires Varela, com espírito inventivo dos historiadores da época, crê que os romanos, que conquistaram Elvas aos Celtas, se acoitaram «nuns intrincados bosques» e que junto a um ribeiro que neles corria fabricaram choças e ramadas, onde se ampararam    das inclemências do tempo. Depois puseram ao local o nome de BARBARISCENA, o que quer dizer CHOÇA, ou RAMADA DO   BÁRBARO. Por sua vez Tomáz Pires pergunta se sobre a etimologia de Barbacena não terá em parte Varela, argumentando que entre os dólmens que há no concelho de Elvas, o maior, de mais agigantadas proporções, é o que existe na coutada de Barbacena. E acrescenta: «”CHOÇA DO BÁRBARO” não seria denominação mal posta ao dólmen que os Romanos ali encontraram e de que se utilizariam, estendendo-se depois essa denominação a todo o lugar?». Há outra Igreja, em que se venera Nossa Senhora do Paço, a que se perfaz os anos a festa da povoação, no mês de Setembro. A Igreja Paroquial de Barbacena tem por orago Nossa Senhora da Graça e é citada por Fr. Agostinho de Santa Maria, in Santuário Mariano, descrevendo a forma miraculosa que originou a sua construção. Barbacena foi concelho, criado no ano de 1273, no tempo de D. Afonso III, que lhe deu foral, sendo renovado este foral em 1519, por D. Manuel I. O concelho foi extinto e integrado no concelho de Elvas em 1 de Janeiro de 1837. Actualmente Barbacena alberga 778 habitantes (segundo dados dos censos 2001) numa área de 31,16 km2, encontrando-se a uma distância de cerca de 14 km da sede do concelho. Num Largo da histórica vila – que teve papel de certa preponderância na Guerra da Restauração – ainda se encontra o pelourinho, de tosca cantaria do século XVI. Consta de uma coluna com base, anel e capitel. O castelo da vila, na parte nascente, foi edificado por D. Jorge Henriques, caçador-mor do Rei D. João III. Reconstruído em meados do século XVII, com obras de fortificação segundo a táctica da época, resistiu a vários ataques dos espanhóis. A parte da construção do século XVI é constituída por panos de muralhas e torreões baixos, formando quadrilátero. A entrada principal, actual, é do século XVII, com portal de pedra talhada em alvenaria, formando um frontão com dois coruchéus e coroamento. A todos estes dados históricos, sobre a freguesia de Barbacena, há que somar mais um, a sua Casa do Povo, que foi a primeira a ser implantada no País, no ano de 1934. Tudo o que constituiu o passado histórico assentou sobre um suporte natural, onde a actividade humana se organizou e actuou. Esse mesmo espaço é hoje habitado e vivido por uma população que tenta desenvolver-se, respondendo aos desafios da modernidade, sem esquecer as suas raízes, as suas tradições, usos e costumes. Apesar da natural progressão socioeconómica, ainda hoje se mantêm vivas as raízes destas gentes, bem reflectidas, por exemplo, na sua gastronomia. As migas e a Açorda à Alentejana, durante todo o ano, o ensopado de borrego, os bolos doces e de manteiga na época da Páscoa e as filhoses e azevias pelo Natal, são alguns bons exemplos disso. A matança do porco, os festejos do Natal e do Carnaval, são tradições que se mantêm, com os cânticos pela quadra natalícia e os bailaricos e brincadeiras pelo Carnaval. São estas algumas das tradições desta freguesia, onde a religião católica predomina, como o demonstram as várias feiras, festas e romarias que aqui têm lugar, como a festa de S. Sebastião, no dia 20 de Janeiro, romaria de Nossa Senhora da Lapa, no Domingo seguinte à Páscoa, a feira anual de gados, no dia 8 de Setembro e a festa em honra de Nossa Senhora do Paço, também no dia 8 de Setembro. Numa freguesia onde predomina a actividade agrícola, existem algumas importantes explorações como a Herdade do Reguengo, Herdade de Campos, Quinta do Pomar, e algumas courelas, sendo natural referir que a profissão predominante seja a de trabalhador agrícola. Daí temos que, as principais actividades existentes nesta freguesia sejam a agricultura, a extracção de cortiça do sobreiro, o artesanato e mais recentemente a extracção de granito, em desenvolvimento nesta zona. O artesanato não é mais do que o fruto do contacto destas gentes com a natureza que as rodeia, onde predomina o azinho, o sobreiro e a oliveira, e que essencialmente com a cortiça e o buínho, as suas mãos hábeis criam autênticas obras de arte. Em Barbacena existem artesãos que são conhecidos fora da sua terra, pela sua arte, como o Sr. Tiago, ou o Sr. Jacinto Rosado, o Sr. Canoas Vieira, que também é poeta popular, mais conhecido pelo “Raminho”, que é seu anexim, a exemplo de outros, como o “xexéu”, o “Vinte e Cinco”, o “Bendito”, usuais em Barbacena e na região. As gentes desta terra mantêm alguns dos jogos tradicionais como a malha, o xito e alguns costumes como “o rebolar do vale”, logo a seguir à Páscoa, com os quais, noutros tempos, preenchiam o seu tempo de lazer. Hoje os tempos são outros, já não se vai ao S. Mateus, à sede do concelho, a pé ou de carro de mulas, que eram cedidos pelos patrões para o efeito. As vias de comunicação que hoje servem a freguesia, proporcionam outro tipo de procedimento e as condições existentes na própria freguesia, fazem com que o passar do tempo seja diferente. Barbacena é hoje uma freguesia que, para além de manter o seu passado e viver o presente, pode pensar no seu futuro, se tivermos em conta as suas potencialidades. O turismo rural e recursos naturais e cinegéticos, aliados à sua história podem contribuir para o desenvolvimento de Barbacena.